André Gomes, candidato do Chega à freguesia de Cabanelas, Vila Verde, retira o apoio a Filipe Melo, candidato do partido à câmara municipal de Vila Verde, a quem acusa de «absolutista e totalitarista. É perigoso votar em alguém que idealiza uma configuração ‘posso, quero e mando», refere o candidato, depois de revelar mensagens trocadas no grupo whatsapp do partido onde se fazem algumas ‘trocas azedas de galhardetes’.
Munido da Constituição, onde sublinha os dois primeiros artigos, o jovem candidato do Chega em Cabanelas revela alguns ‘atropelos’ no processo autárquico, louvando, sobretudo, «o empenho e dedicação» de Elisabete Rodrigues pela «representação do partido Chega em Vila Verde. Sobretudo, pelo trabalho incansável» neste processo autárquico. «Foi a Elisabete que defendeu a causa, que deu a cara e que foi incansável», refere, contrariando a tese de que «este não é o Chega de Y ou de Z», destaca.
O elogio não terá caído bem a nível interno e «suscitou o conflito e mal-estar, revela.
Entre os comentários, André Gomes revela a posição do líder da distrital e candidato à câmara de Vila Verde, Filipe Melo. «Meu caro amigo, o meu agradecimento vai mais longe: o meu agradecimento vai para os elementos que compõem as listas à câmara, assembleia municipal e às juntas de freguesia que todos os dias estão com a equipa no terreno. Naturalmente, não podemos agradecer a quem não se junta à equipa, a quem corre em pista própria e não pelo partido», aludindo ao jovem candidato de Cabanelas.
Ofendido, depois de confirmar que era ‘uma indireta’ para si, retorquiu, mas obteve nova resposta de Filipe Melo: «(…) Sou frontal e direto. Quem está neste partido tem que perceber que a única pessoa que estipula as regras do jogo é o nosso presidente André Ventura. Este é um grupo muito grande no distrito que tem mais que se preocupar que com um candidato a Cabanelas. (…) Aqui queremos gente que está com o partido e com o nosso presidente».
Perante o sucedido, André Gomes anuncia a retirada do apoio a Filipe Melo à câmara municipal, mantém o apoio a Elisabete Rodrigues à assembleia municipal e anuncia apoio a outro candidato autárquico, o ex-Chega e agora independente Fernando Feitor.
E justifica: «Porque sou uma pessoa que gosta da pluralidade democrática, do debate de ideias e não tenho ‘palas nos olhos’, se me candidato a um cargo político não é para servir os interesses de um só indivíduo. Não sirvo os interesses do Dr. André Ventura, mas os interesses do povo, das pessoas, e acredito que a Constituição serve para servir a população e não interesses partidários, ou de um líder. Não estamos num Estado totalitário e absolutista (…) do posso, quero e mando».



