O presidente da Junta de Atiães, Samuel Estrada, oficializou esta quinta-feira, no Tribunal de Vila Verde, a recandidatura ao cargo pelo movimento independente “Atiães Com Futuro” e garantiu que pretende levar para o debate público a discussão sobre o papel das freguesias, que “precisam de meios e condições financeiras para intervir no terreno e satisfazer as necessidades de cada dia”.
“Depois de quatro anos de muitas transformações, muitas lutas, mas sobretudo muitas conquistas que permitiram tirar Atiães do marasmo, nós não podíamos deixar agora a nossa freguesia abandonada e condená-la a um regresso a um passado e a um formato de Junta embalsamada”, disse Samuel Estrada, em declarações ao jornal “O Vilaverdense”, após a entrega da lista.
O autarca, que foi eleito pela primeira vez em 2021 e que agora pretende chegar ao segundo mandato, garante que a candidatura que apresenta pretende fazer a “defesa inegociável e a acérrima dos direitos da população de Atiães” e quer “levar para a agenda política desta campanha a discussão sobre qual deve ser o papel da Junta de Freguesia no âmbito do poder local atual e, sobretudo, no âmbito do poder local em Vila Verde”.
“A freguesia deve ser um franchising do município? Deve ser uma reminiscência do antigo regedor? Deve ser um porta-voz do município? Deve ser o pedinte oficial do reino, que vive de chapéu na mão, vivendo da misericórdia e do espírito maternalista que a senhora presidente assumiu recentemente, como mãe de nós todos, vivendo da caridade casuística da senhora presidente? Ou a Junta de Freguesia deve ser, como nós defendemos, uma autarquia autónoma, com incumbências, mas também com competências, com responsabilidade, com meios e condições financeiras para intervir no terreno e satisfazer as necessidades de cada dia da Junta de Freguesia e do seu território. É isso que nós procuramos, uma Junta que não viva de joelhos, mas que se erga e que viva com verticalidade ao lado do município”, garantiu.
Samuel Estrada garantiu que a candidatura que lidera vai “reivindicar aquilo que é a autonomia de uma freguesia e a voz de um povo que tem que ser ouvida”. “Nós não conseguimos admitir que nos tempos de hoje uma freguesia possa estar à margem da discussão sobre as Grandes Opções do Plano, que possa estar à margem da discussão do orçamento, que possa ser espectadora daquilo que é a discussão sobre um Plano de Diretor Municipal”, salientou.
OBRAS E CENTRO DE DIA
Quanto a obras físicas e projetos que pretenda executar, Samuel Estrada adiantou que há intervenções que “ainda não estão totalmente cumpridas”, desde logo o “melhoramento da rede viária, sobretudo na área agrícola e na área florestal, que estão ainda muito degradadas e que estão em curso, mas que ainda não estão concluídas”.
“Depois de completado o parque de estacionamento e a Praça Santiago, temos agora como missão um arranjo urbanístico até à capela de São Sebastião e que vai concluir, digamos, com o nosso arranjo do espaço central da Junta de Freguesia. A recuperação da escola para o domínio da Junta é um objetivo também fundamental, mas depois também a nível social temos muitas missões, nomeadamente a procura de respostas sociais para uma população envelhecida. Nos próximos anos essa franja da população vai aumentar e não temos uma resposta para eles. É uma questão que nos preocupa muito e procuraremos uma resposta quer para os mais velhos, quer para os mais novos”, sublinhou.
Sobre este último tema, Samuel Estrada abriu a possibilidade de a freguesia poder vir a ter um centro de dia, “privilegiando as parcerias com as instituições locais, nomeadamente o Lar da Sagrada Família, e procurando reabilitar equipamentos e espaços que existem em Atiães”.
“Para além disso, temos a questão dos regadios, que está muito abandonada e que é muito importante para a nossa freguesia e que, para além disso, são espaços emblemáticos que nós queremos reabilitar, queremos dar outra dignidade e queremos trabalhar agora mais de perto com os consortes para podermos melhorar esse potencial que está muito abandonado”, concluiu.



