A Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, em Vila Verde, foi palco, este sábado, da apresentação do livro “Gotas d’Orvalho”, obra que compila a produção poética de Domingos da Silva, uma figura incontornável da cultura local.
O volume reúne textos do autor natural de Prado, que utilizava o pseudónimo bucólico “Gotas d’Orvalho” e que, ao longo de várias décadas, colaborou de forma regular com a imprensa regional, nomeadamente nos jornais O Vilaverdense, desde os seus primeiros números em 1956, Jornal da Vila de Prado e Tribuna Livre, do concelho de Amares.
A obra foi organizada por Marília Silva, filha do autor, e publicada com o apoio do Município de Vila Verde, assumindo-se como um contributo relevante para a preservação da memória literária, cultural e identitária do concelho.
NÍDIO SILVA: «“É um livro de afetos…»
No posfácio e na apresentação do livro, Alberto Nídio Silva sublinha a dimensão humana e espiritual da escrita do poeta. «É um livro de afetos: a família, os amigos, a terra natal, a vila de Prado. A dimensão espiritual ocupa um lugar central na sua obra, inspirada na mãe do Céu e da terra», afirmou, acrescentando que se trata de «uma centena de gotas de orvalho, um canal da experiência da vida do povo». «Lê-lo pede escuta, silêncio e simpatia. É a voz de um homem que fez da palavra fé», destacou ainda.
MARÍLIA SILVA: «…dever cumprido»
Marília Silva explicou que a obra resultou de um processo longo. «Levou muito tempo a amadurecer e anos a fazer. A apresentação acontece perto do aniversário do meu pai, a 29 de janeiro, e é uma forma de o homenagear», referiu.
A organizadora quis também lembrar o prefaciador da obra, António Macedo, já falecido, e o padre Sebastião Faria, «que sempre o visitou, mesmo na doença. Sinto-me feliz e com o dever cumprido», concluiu.
JÚLIA FERNANDES: «… homenagem da família e de Vila Verde, que se honra dos seus maiores»
A presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, considerou que a publicação constitui uma homenagem justa a «um vilaverdense, de Prado, e muito ligado a Soutelo. O título Gotas d’Orvalho, o pseudónimo que sempre usou, é muito bem escolhido. Vila Verde tem de estar reconhecido por este tesouro», afirmou.
Segundo a autarca, Domingos da Silva deixou «um testemunho e um legado muito importante dos nossos costumes, da nossa terra e da devoção à Senhora do Alívio. É uma homenagem da família e de Vila Verde, que se honra dos seus maiores», acrescentou.
A sessão terminou com a interpretação de duas composições do Grupo Coral de Palmeira, baseadas em poemas do autor: a Marcha da Vila de Prado e o Hino à Senhora do Alívio, encerrando simbolicamente um momento de evocação da vida, da fé e da identidade cultural que marcaram a obra de Domingos da Silva.

















