Os incêndios florestais que atingem várias regiões de França continuam a alastrar de forma preocupante, levando o Presidente francês, Emmanuel Macron, a ordenar a mobilização das Forças Armadas para reforçar as operações de combate às chamas e de proteção das populações.
Antes da reunião do gabinete de crise, Macron apelou às forças militares para que “se mobilizem e deem o máximo apoio à defesa civil”, face à gravidade da situação, segundo informações divulgadas pelo jornal Le Monde, citando fontes próximas da Presidência francesa.
De acordo com o mais recente balanço do Ministério do Interior, mais de 110 mil pessoas foram retiradas na região de Gironda, enquanto cerca de 31 mil habitantes tiveram de abandonar as suas casas no departamento de Landes. No total, os incêndios já consumiram mais de 19 mil hectares.
Na noite desta sexta-feira, a prefeitura de Bordéus alertou que o incêndio na região de Gironda atingiu “uma amplitude inédita” e continua a progredir na direção da cidade. Apesar disso, as autoridades sublinham que, até ao momento, não existem novos focos de incêndio dentro da cidade, embora a situação permaneça sob vigilância permanente.
O ministro do Interior garantiu, em declarações ao canal TF1, que será feito “tudo o que for possível” para proteger Bordéus, assegurando que a cidade não enfrenta, para já, um perigo imediato.
Entretanto, o fumo proveniente dos incêndios deteriorou significativamente a qualidade do ar na área metropolitana de Bordéus. As autoridades emitiram um alerta de poluição devido ao aumento da concentração de partículas finas (PM10), recomendando à população que limite atividades ao ar livre, evite esforços físicos intensos e procure assistência médica em caso de dificuldades respiratórias ou problemas cardíacos.
Apesar da gravidade da situação, as previsões meteorológicas oferecem algum sinal de esperança. Aguaceiros e trovoadas isoladas começaram a registar-se em partes da região de Gironda, podendo contribuir para travar o avanço das chamas durante as próximas horas, embora a precipitação seja ainda irregular.
Ao mesmo tempo, a mudança da circulação atmosférica, com a substituição dos ventos de leste por ventos de oeste e noroeste, deverá transportar ar mais húmido proveniente do Atlântico. Ainda assim, as autoridades alertam que as rajadas poderão ultrapassar os 50 quilómetros por hora, continuando a favorecer a propagação dos incêndios em algumas zonas.
Mais a sul, no departamento de Landes, o incêndio de Biscarrosse permanece como o segundo mais grave do país. Durante a noite, o fogo continuava a avançar em direção à localidade de Parentis, obrigando à retirada de mais 8.000 pessoas, elevando para cerca de 31 mil o número total de evacuados naquela região.
As autoridades francesas mantêm o dispositivo de emergência em máxima prontidão, enquanto prosseguem os esforços para proteger populações, infraestruturas e património natural perante um dos mais severos episódios de incêndios florestais dos últimos anos no país.
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