Uma mulher de 59 anos, residente em Santo Tirso, foi condenada a quatro anos e oito meses de prisão por ter burlado uma mulher em mais de 177 mil euros, aproveitando-se da sua fragilidade emocional com promessas de reconciliação conjugal através de alegados rituais místicos.
A sentença foi proferida em fevereiro pelo Tribunal de São João Novo, no Porto, que considerou provado que Maria Alice Soares enganou a vítima, identificada como Ana, convencendo-a a entregar grandes quantias de dinheiro para realizar supostos “trabalhos espirituais” destinados a reatar a relação com o ex-marido.
Segundo o processo, os factos remontam a 2020, quando a arguida abordou a vítima apresentando-se como curandeira. Ao longo do tempo, terá persuadido a mulher a entregar-lhe dinheiro para alegados rituais e práticas místicas. Entre as recomendações feitas, chegou mesmo a aconselhar a vítima a hipotecar a própria casa, alegando tratar-se de uma “prova de amor” para recuperar o casamento.
De acordo com informações divulgadas pelo Jornal de Notícias, parte significativa do dinheiro obtido foi utilizada na construção de uma vivenda em Rebordões, registada em nome do filho da arguida, de 34 anos.
Antes desta condenação, a mesma mulher tinha sido absolvida, a 12 de janeiro de 2026, num processo que envolvia alegadas burlas a 22 pessoas, num montante superior a 260 mil euros. Nesse caso, o coletivo de juízas do Tribunal de Penafiel considerou que os lesados entregaram voluntariamente o dinheiro por acreditarem que a arguida possuía poderes sobrenaturais.
Apesar dessa absolvição, no processo relativo à burla de 177 mil euros, o tribunal considerou provados os crimes de furto e tentativa de coação, aplicando a pena de quatro anos e oito meses de prisão. A pena foi suspensa, tendo a arguida, que se encontrava em prisão preventiva, sido entretanto libertada.
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