O ministro da Administração Interna, Luís Neves, anunciou que as alterações ao Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal serão divulgadas nos próximos dias, com impacto direto na resposta aos incêndios rurais e especial enfoque nas juntas de freguesia.
Em entrevista ao podcast da Antena 1, o governante garantiu que as mudanças vão representar “saltos muito qualitativos” ao nível da eficácia, da capacidade de resposta e do alcance das comunicações. Parte dessas melhorias deverá já ser visível durante o próximo verão, período crítico para os fogos florestais.
Segundo Luís Neves, o reforço do sistema passará pela introdução de mais equipamentos, retransmissores e canais próprios de comunicação, assegurando que todas as entidades envolvidas dispõem de meios adequados para operar no terreno.
O processo de reformulação surge na sequência das falhas registadas no SIRESP, nomeadamente durante o apagão de abril de 2025, um episódio que expôs limitações estruturais e operacionais do sistema em cenários de elevada exigência. Desde fevereiro que o Governo tem em mãos o relatório de um grupo de trabalho criado para avaliar alternativas e propor soluções mais robustas.
Apesar das críticas associadas à atual rede, o ministro afastou uma simples mudança de nome, defendendo uma reformulação efetiva: “Se deixarmos de chamar SIRESP e chamarmos outro nome e forem as mesmas estruturas, isso não é sério”, afirmou, sublinhando a necessidade de reforçar redundâncias e capacidade operacional.
O governante destacou ainda que o foco principal da intervenção estará nas juntas de freguesia, pela sua proximidade às populações, assumindo um papel crucial na articulação local em situações de emergência.
Paralelamente, o Executivo avançou com a criação do Comando Integrado de Prevenção e Operações, uma estrutura destinada a melhorar a coordenação e prevenção de incêndios rurais. Em funcionamento desde o início do mês, o CIPO reúne várias entidades com competências na limpeza e preparação do território.
De acordo com o ministro, foram identificados 22 concelhos em situação de calamidade, sobretudo a partir da região de Leiria em direção ao interior, onde decorrem operações de limpeza essenciais para garantir o acesso dos bombeiros em cenários críticos.
A estrutura é liderada por Elísio Oliveira, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, e conta atualmente com cerca de 1.500 operacionais no terreno e 400 equipamentos, intervindo na limpeza de mais de três mil quilómetros de estradas, aceiros e caminhos rurais.
Luís Neves assegurou que o CIPO está preparado para manter a sua atividade durante o verão, reforçando a capacidade de resposta num período tradicionalmente marcado por “grandes e extraordinárias dificuldades” no combate aos incêndios florestais.



