O setor da panificação admite que o preço do pão poderá voltar a aumentar nos próximos meses, caso se mantenha a subida dos custos da energia, combustíveis e matérias-primas, alertam responsáveis da indústria.
Apesar de muitas empresas continuarem, para já, a absorver parte do impacto financeiro, os empresários do setor reconhecem que as margens de lucro estão cada vez mais reduzidas, sobretudo nas pequenas padarias e nas empresas localizadas no interior do país.
Os aumentos salariais registados no início do ano, aliados à subida dos combustíveis e ao encarecimento das matérias-primas utilizadas na produção, continuam a pressionar os custos operacionais da indústria da panificação.
A situação torna-se particularmente difícil para as empresas instaladas fora dos grandes centros urbanos, devido aos encargos acrescidos com o transporte e a distribuição. Em regiões do interior, onde os centros logísticos se encontram mais distantes, os custos de abastecimento e entrega acabam por ter maior impacto nas contas das padarias.
Outro dos desafios apontados pelo setor prende-se com a distribuição diária de pão em aldeias e zonas rurais, um serviço considerado essencial para muitas populações envelhecidas e com dificuldades de mobilidade.
Além do aumento do preço dos combustíveis, as padarias destacam os custos associados aos trabalhadores responsáveis pelas entregas porta a porta, uma realidade particularmente relevante em zonas de baixa densidade populacional.
Sendo o pão um dos alimentos mais consumidos pelas famílias portuguesas, qualquer agravamento do preço terá impacto direto no orçamento doméstico, num contexto já marcado pelo aumento generalizado do custo de vida.
Contactada sobre o tema, a Associação do Comércio e Indústria da Panificação garantiu que, para já, não está previsto um aumento generalizado do preço do pão. Ainda assim, admite que o cenário poderá alterar-se caso os custos de produção continuem a subir nos próximos meses.
Para já, a decisão sobre eventuais atualizações de preços continua a depender de cada padaria e da realidade económica de cada empresa.



