Cerca de um terço dos candidatos à Guarda Nacional Republicana reprova nos testes psicológicos realizados durante o processo de recrutamento para a força de segurança. A revelação foi feita pelo comandante-geral da GNR, tenente-general Rui Veloso, numa entrevista à agência Lusa.
Segundo o responsável, entre 30% e 35% dos candidatos são excluídos devido a avaliações psicológicas consideradas incompatíveis com o exercício da função policial.
“No último curso, entre 550 e 600 candidatos chumbaram nestas provas psicológicas”, afirmou Rui Veloso, acrescentando que os números se mantêm relativamente estáveis nos últimos três anos.
O comandante-geral sublinhou que a GNR continuará a aplicar critérios rigorosos no recrutamento, mesmo perante a necessidade de aumentar o número de efetivos.
“Nunca vamos facilitar por escassez de efetivos”, assegurou.
De acordo com Rui Veloso, muitas das reprovações estão relacionadas com traços de personalidade considerados inadequados para o desempenho das funções de autoridade e segurança exigidas aos militares da Guarda.
Na mesma entrevista, o responsável revelou ainda que 51 militares foram expulsos da corporação nos últimos quatro anos devido a comportamentos desviantes ou incompatíveis com os valores institucionais da GNR. Só em 2026 já foram registadas 13 expulsões.
Entre os casos identificados encontram-se situações de violência doméstica, burlas e outras condutas consideradas graves, tanto em contexto profissional como na esfera pessoal.
“O militar tem que manter uma conduta exemplar dentro e fora do serviço”, frisou Rui Veloso.
Além da formação inicial, os recém-formados permanecem durante um ano em regime probatório, período durante o qual são avaliados permanentemente pelos superiores hierárquicos. Caso demonstrem atitudes contrárias aos princípios da instituição, podem igualmente ser afastados da Guarda.
Apesar das exigências no recrutamento e seleção, o comandante-geral afirmou que a GNR tem conseguido recuperar efetivos nos últimos anos. Atualmente está a decorrer um curso de formação com cerca de 800 candidatos, que deverão reforçar o dispositivo operacional ainda durante este ano, após concluírem o estágio no terreno.
Rui Veloso destacou também o reforço dos mecanismos internos ligados à proteção dos direitos humanos e à prevenção da discriminação, medidas implementadas no âmbito do Plano de Prevenção de Manifestação de Discriminação nas Forças de Segurança, em vigor desde 2021.



