Guimarães apresentou o projeto do Cinturão Verde e Azul perante decisores e instituições financeiras europeias durante a quinta edição da Conferência da Missão das 100 Cidades, realizada entre 27 e 29 de maio, em Turim, Itália. A participação do município decorreu no âmbito da sua condição de Cidade Missão e atual Capital Verde Europeia, reforçando o compromisso com a neutralidade climática.
Organizado pela Comissão Europeia e pela NetZeroCities, o encontro reuniu representantes de cidades europeias para debater estratégias de financiamento climático, implementação de projetos e desenvolvimento de parcerias que acelerem a transição para cidades neutras em carbono.
O destaque da participação vimaranense aconteceu na sessão plenária “Do Plano ao Investimento: Cidades a Avançar na Implementação”, onde o vereador do Ambiente e da Ação Climática, Alberto Martins, apresentou a estratégia do Cinturão Verde e Azul de Guimarães. O projeto prevê a criação de 61 quilómetros de ecovias ao longo dos rios Ave, Selho e Vizela, ligando espaços naturais e urbanos através de uma rede integrada de corredores ecológicos.
A apresentação decorreu perante especialistas do Capital Hub e representantes de entidades financeiras internacionais, entre as quais o Banco Europeu de Investimento e o Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento.
Segundo o município, a primeira fase do projeto corresponde ao anel prioritário da intervenção, abrangendo 11 quilómetros e uma área de cerca de 735 hectares. A operação atravessa sete freguesias, beneficiará diretamente cerca de 30% da população do concelho e representa um investimento estimado em 2,8 milhões de euros.
A infraestrutura irá estabelecer ligações entre vários ativos verdes já existentes, como a Rota da Biodiversidade da Penha, o Parque da Cidade, o Monte Latito e a Veiga de Creixomil, através da criação de novos corredores verdes, parques de proximidade e soluções baseadas na natureza.
Numa fase posterior, o segundo e o terceiro anéis permitirão expandir a rede para as freguesias periféricas, reforçando a conectividade ecológica e promovendo benefícios ambientais como a redução das ilhas de calor, o aumento da capacidade de absorção de água e a captura de carbono.
Citado em comunicado do município, Alberto Martins considerou que “a nossa participação em Turim marca um momento decisivo na trajetória de Guimarães rumo à neutralidade carbónica, ao passarmos do planeamento estratégico para a fase de investimento e implementação no terreno”. O vereador acrescentou que “o projeto do Cinturão Verde e Azul, que apresentámos perante os principais decisores financeiros europeus, é a prova de que a ação climática pode e deve estar ligada à qualidade de vida dos cidadãos, regenerando o território e protegendo a nossa biodiversidade”.
O responsável defendeu ainda que a estratégia permitirá construir “uma cidade cada vez mais sustentável, resiliente e preparada para os desafios do futuro, garantindo que a transição verde é uma oportunidade de desenvolvimento para todos os vimaranenses”.
Além da apresentação do Cinturão Verde e Azul, a delegação de Guimarães participou em várias sessões da conferência dedicadas à habitação acessível e sustentável, ao envolvimento cívico e à eficiência energética.
O Laboratório da Paisagem integrou um painel sobre participação comunitária e envolvimento dos jovens na ação climática, juntamente com representantes das cidades de Parma e Menteşe. Já o Gabinete de Eficiência Energética acompanhou debates sobre o papel do setor privado e das cidades na redução das emissões e no reforço da resiliência climática.
Com esta participação, Guimarães procurou consolidar a sua posição entre as cidades europeias que lideram a implementação de soluções sustentáveis e a mobilização de investimento para a transição climática.



