O espetáculo Afro Saloyá, da atriz e encenadora Isabél Zuaa, foi cancelado na noite de quinta-feira, em Guimarães, no âmbito dos Festivais Gil Vicente, após a artista denunciar ter sido alvo de ameaças e de um ato de racismo durante o ensaio realizado horas antes.
Segundo a artista, o incidente ocorreu na tarde de quinta-feira, na sequência de um desentendimento que envolveu um elemento da equipa técnica. De acordo com a sua versão, um membro da direção técnica d’ A Oficina entrou posteriormente em palco e dirigiu-lhe ameaças, sem procurar ouvir a sua explicação sobre o sucedido.
Perante a situação, Isabél Zuaa considerou não existirem condições para a apresentação do espetáculo. A artista subiu ao palco apenas para comunicar ao público os motivos da decisão.
“Um homem entrou aqui e interrompeu o ensaio sem qualquer tipo de dúvida de que não seria punido por aquilo que ele fez, pelas ameaças que ele me fez”, afirmou perante os espectadores, acompanhada pela equipa artística.
A atriz disse sentir-se desrespeitada enquanto artista e enquanto pessoa, considerando que a situação afetou igualmente toda a equipa envolvida na produção. Segundo explicou, optou por falar diretamente ao público para evitar interpretações erradas ou versões distorcidas dos acontecimentos.
COMUNICAÇÃO AO MP
Entretanto, em comunicado emitido esta sexta-feira, A Oficina lamentou o cancelamento do espetáculo e garantiu que não tolera “qualquer forma de racismo, sexismo ou assédio”.
A entidade revelou ainda que, na sequência da denúncia apresentada por Isabél Zuaa, a direção executiva instaurou de imediato um processo interno de averiguação. Segundo o comunicado, até ao momento “não foi identificada qualquer atitude, ato ou insinuação de natureza racial”.
Ainda assim, A Oficina informou ter decidido apresentar participação ao Ministério Público para que os factos possam ser investigados, solicitando “a maior celeridade possível” no apuramento da situação.
No mesmo comunicado, a instituição manifestou “total empatia e compreensão” para com todas as pessoas afetadas pelos acontecimentos e reafirmou o compromisso com os valores da igualdade, inclusão, respeito mútuo e dignidade humana.
O espetáculo integrava a programação dos Festivais Gil Vicente, em Guimarães, e acabou por não ser apresentado ao público na sequência da polémica.



