A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, apelou esta quinta-feira à população para reduzir o consumo de água durante a atual vaga de calor, alertando para a pressão que o aumento da procura está a exercer sobre os sistemas de abastecimento. A governante admitiu ainda a possibilidade de ocorrerem apagões localizados devido ao elevado consumo de eletricidade, embora tenha sublinhado a robustez da rede nacional.
As declarações foram feitas na Galiza, durante a inauguração da nova interligação elétrica entre Portugal e Espanha.
“Gostaria de passar essa mensagem às pessoas que tentem, o mais possível, fazer uma economia de água e usar só aquela que é mesmo essencial para a saúde e para o seu dia a dia”, afirmou.
A ministra esclareceu que o problema não está relacionado com a disponibilidade de água nas barragens ou nos rios, mas sim com a capacidade dos sistemas de abastecimento para responder ao aumento excecional do consumo em alguns concelhos.
“Não é uma questão de falta de água nos rios ou nas barragens. É nos próprios sistemas de abastecimento porque há uma utilização acima do que é normal”, explicou.
Maria da Graça Carvalho manifestou igualmente preocupação com o risco de incêndios rurais, numa altura em que grande parte do país enfrenta temperaturas extremas e níveis muito elevados de perigo de fogo.
Relativamente ao sistema elétrico, a governante alertou para a possibilidade de sobrecarga provocada pelo uso intensivo de aparelhos de ar condicionado e outros equipamentos elétricos.
“É natural que, com uma sobrecarga de utilização de ar condicionado e de muita utilização elétrica, haja apagões localizados. Temos uma rede neste momento muito resiliente, mas não estamos livres de isso poder acontecer, como aconteceu em França e noutros países da Europa”, afirmou.
Ainda assim, Maria da Graça Carvalho mostrou-se confiante na capacidade de resposta da infraestrutura elétrica nacional, salientando que a nova interligação com Espanha contribuirá para reforçar a estabilidade e a segurança do sistema.
Entretanto, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prolongou até domingo o aviso vermelho para vários distritos devido à persistência de temperaturas extremamente elevadas. O nível máximo de alerta estará em vigor, entre sexta-feira e domingo, em Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Portalegre, Évora e Beja, enquanto Lisboa regressará ao aviso laranja na noite de sexta-feira.
As previsões apontam para temperaturas máximas que poderão atingir os 44 graus Celsius e mínimas entre os 24 e os 28 graus, mantendo um cenário de calor extremo em grande parte do território continental.
Face à vaga de calor, a Direção-Geral da Saúde recomendou aos municípios o reforço das medidas de proteção das populações mais vulneráveis, incluindo a identificação de pessoas em situação de maior risco, contactos preventivos e visitas domiciliárias.
A autoridade de saúde aconselha ainda a abertura de espaços climatizados para acolhimento temporário da população, o reforço dos pontos de acesso a água potável, a criação de zonas de sombra em espaços públicos e a adaptação dos horários dos trabalhos realizados ao ar livre.
Também os hospitais portugueses ativaram o nível mais baixo dos respetivos planos de contingência, preparando-se para um eventual aumento da procura dos serviços de saúde associado às temperaturas extremas.



