Apenas 304 estudantes apresentaram candidatura à 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior Público no primeiro dia do prazo, um número muito inferior ao registado no ano passado, quando foram contabilizadas 10.183 candidaturas no mesmo período.
A diferença acentuada estará relacionada com as dúvidas manifestadas por muitos alunos relativamente às classificações dos exames nacionais, após os problemas registados no novo processo de avaliação em formato digital.
Nos últimos dias foram reportadas várias falhas no sistema, incluindo erros na classificação de provas, pautas com incorreções e situações em que algumas notas ficaram temporariamente suspensas ou tiveram de ser corrigidas. O próprio ministro da Educação, Fernando Alexandre, reconheceu a existência de constrangimentos no processo.
As dificuldades levaram associações de estudantes do ensino básico e secundário a manifestarem desconfiança sobre os resultados divulgados, defendendo que muitos alunos não conseguem ainda perceber se necessitam ou não de realizar a 2.ª fase dos exames nacionais.
Também a Federação Académica de Lisboa (FAL) demonstrou preocupação com as “potenciais implicações” dos problemas verificados na classificação e divulgação das notas, apelando a garantias de equidade no acesso ao Ensino Superior.
Apesar dos constrangimentos, o Ministério da Educação manteve o calendário previsto para o concurso nacional de acesso, cujo prazo termina a 6 de agosto. O Ministério recordou, contudo, que os alunos que tenham pedido reapreciação das provas da 1.ª fase poderão utilizar eventuais alterações de classificação ainda durante a primeira fase de candidaturas.
De acordo com o regulamento do Concurso Nacional de Acesso e Ingresso no Ensino Superior Público para o ano letivo 2026/2027, quando uma alteração de nota permite ao estudante reunir condições para concorrer, este poderá apresentar candidatura ou proceder à sua alteração até três dias após a divulgação da nova classificação.
Os estudantes que considerem ter sido prejudicados poderão ainda realizar exames numa época especial em setembro, podendo posteriormente concorrer ao Ensino Superior através da 2.ª fase de acesso.
Este ano, pela primeira vez, os cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo ficou marcado por falhas técnicas. As pautas começaram a ser divulgadas apenas na sexta-feira à noite, inicialmente sem todas as classificações, devido a problemas identificados pelo Júri Nacional de Exames (JNE).
Para o próximo ano letivo, o concurso nacional de acesso disponibiliza 56.790 vagas nas universidades e institutos politécnicos públicos, mais 834 lugares do que no ano anterior.



