Paulo Portas tomou posse esta quarta-feira como comissário-geral para as comemorações dos 900 anos da fundação de Portugal, assumindo o compromisso de organizar uma celebração assente no rigor histórico e recusando qualquer tentativa de reinterpretar os acontecimentos fundadores do país à luz das atuais divisões políticas e sociais.
A cerimónia decorreu no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, e contou com a presença de várias figuras ligadas ao anterior Governo de Pedro Passos Coelho e ao CDS, entre as quais Assunção Cristas, Diogo Feio, Cecília Meireles, o ministro da Defesa e presidente do CDS, Nuno Melo, e o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho.
Apesar de afastar um regresso à política ativa, Paulo Portas afirmou ter aceite o convite do primeiro-ministro para desempenhar a função como um ato de serviço público. “Aceitei como serviço público e procurarei entregar com entusiasmo”, afirmou.
As comemorações assinalarão, em 2028, os 900 anos da fundação de Portugal, cuja origem é tradicionalmente associada à Batalha de São Mamede, travada em 1128 entre as forças de D. Afonso Henriques e as da sua mãe, D. Teresa de Leão, episódio considerado determinante para a afirmação da independência do futuro reino português.
No discurso de tomada de posse, Paulo Portas deixou uma mensagem clara sobre a forma como pretende conduzir as celebrações. “A História não se reescreve. Seria muito injusto e pouco científico analisar os factos do século XII português à luz volátil de critérios do século XXI ou das polarizações do século XXI”, afirmou.
O antigo vice-primeiro-ministro acrescentou que a existência de Portugal constitui “uma certeza serena e aprovada pelos tempos, tão sólida como as rochas que antecedem o mar”.
Também presente na cerimónia, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, explicou que o Governo pretende assinalar a efeméride através de um programa abrangente, que vá além da simples evocação dos acontecimentos históricos.
Segundo a governante, o objetivo passa por aproximar os portugueses da sua História e das suas raízes, reforçando a consciência de que a identidade nacional resulta de um percurso coletivo construído ao longo de muitas gerações.
Paulo Portas adiantou ainda que uma das prioridades das comemorações será envolver as gerações mais jovens, promovendo iniciativas que contribuam para um maior conhecimento sobre a fundação de Portugal e os momentos determinantes da sua história.
As celebrações dos 900 anos da fundação de Portugal, previstas para 2028, deverão incluir um vasto programa de iniciativas culturais, educativas e científicas em todo o país, procurando assinalar uma das mais importantes efemérides da história nacional.



