Portugal registou 75 mortes por afogamento até 30 de junho deste ano, o número mais elevado para o primeiro semestre desde 2017, revela o Relatório Nacional de Afogamento 2025, divulgado pela Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS), através do Observatório do Afogamento.
A divulgação dos dados coincide com a celebração do Dia Mundial da Prevenção do Afogamento e levou a federação a renovar o apelo à criação de uma Estratégia Nacional de Prevenção do Afogamento, envolvendo todas as entidades com responsabilidades nesta área.
Segundo a FEPONS, os indicadores revelam uma realidade preocupante, com o número de vítimas mortais a manter uma tendência de agravamento. A federação recorda ainda que, em 2025, Portugal contabilizou 142 mortes por afogamento, um aumento de 17,4% face ao ano anterior e o terceiro pior registo anual desde 2017.
O relatório destaca igualmente que os rios continuam a ser o principal local de ocorrência de afogamentos mortais, sendo que 94,4% das vítimas perderam a vida em zonas sem qualquer vigilância.
Nas zonas naturais do interior do país foram registadas 68 mortes. Destas, apenas três ocorreram em praias fluviais e todas fora da época balnear. As restantes verificaram-se em rios, barragens, lagos e outros espaços naturais sem dispositivos permanentes de vigilância.
Perante estes números, a Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores sublinha que “cada número representa uma vida perdida e uma família afetada”, lembrando que o afogamento é, em muitos casos, evitável através da adoção de medidas de prevenção e de comportamentos seguros.
A organização refere ainda que a Organização Mundial da Saúde identifica um conjunto de medidas eficazes para reduzir o número de mortes por afogamento e considera que Portugal deve reforçar as políticas de prevenção, defendendo a implementação de uma estratégia nacional que promova a sensibilização da população, a educação para a segurança aquática e o reforço da vigilância nas zonas de maior risco.



