As autoridades espanholas classificaram como “muito positiva” a evolução registada durante a última noite no combate aos incêndios florestais que atingem as regiões de Madrid, Ávila e Toledo, conseguindo conter as principais frentes de fogo. Apesar dos progressos, permanecem focos ativos e o dispositivo de combate mantém-se mobilizado para evitar reacendimentos.
Em declarações aos jornalistas no posto de comando instalado em Navaluenga, na província de Ávila, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reconheceu que as próximas horas continuam a ser determinantes.
“Temos pela frente horas complexas. É verdade que esta noite foi muito positiva em relação à evolução do incêndio e ao seu controlo. Vamos ver como se desenvolve o dia de hoje”, afirmou.
A Unidade Militar de Emergências (UME), que coordena as operações no terreno, informou que todas as frentes do incêndio se encontram atualmente contidas, embora subsistam “cabeças ativas” que continuam a ser alvo de intervenção, não estando ainda consolidado o controlo total das chamas.
O comandante da operação, tenente-coronel Alfonso Arribas, explicou à televisão pública RTVE que as condições meteorológicas previstas para este domingo são mais favoráveis às operações de extinção, permitindo concentrar esforços na eliminação dos focos remanescentes.
Perante a evolução dos incêndios, Pedro Sánchez apelou à população para manter a vigilância, cumprir rigorosamente as orientações das autoridades e recorrer apenas aos canais institucionais e aos meios de comunicação social credíveis para obter informação, alertando para a circulação de desinformação relacionada com os fogos.
O chefe do Governo espanhol reiterou que a prioridade continua a ser “salvar vidas” e aproveitou a ocasião para agradecer a Portugal o envio de uma força especial composta por cerca de 200 operacionais para apoiar o combate às chamas na província de Ávila.
Sánchez destacou a “relação de irmandade e solidariedade” entre os dois países, recordando que Portugal e Espanha têm colaborado mutuamente em diversas situações de emergência ao longo dos últimos anos.
Espanha declarou situação de emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo devido aos incêndios florestais que, desde quinta-feira, obrigaram ao confinamento ou à evacuação de mais de 90 mil pessoas.
Além destes incêndios, as autoridades acompanham com preocupação a evolução de um outro fogo na província de Castellón, na Comunidade Valenciana, que já levou ao confinamento ou à retirada de cerca de 15 mil pessoas.
Segundo dados do Governo espanhol, os incêndios florestais já consumiram mais de 150 mil hectares de área este ano no país. Desde janeiro foram registados 32 grandes incêndios, um número que representa um aumento de seis vezes face ao mesmo período de 2025.
Perante este cenário, Pedro Sánchez voltou a defender a necessidade de um “pacto de Estado contra as alterações climáticas”, considerando essencial reforçar as políticas de prevenção e adaptação para enfrentar fenómenos extremos cada vez mais frequentes.



