O mundo em que vivemos

Sabemos que as pandemias, ao longo da história,  são frequentes e que muito antes do Homem surgir no Planeta Terra, já existiam micróbios. A bactéria mais antiga do planeta existe há milhares de milhões de anos e os vírus há, pelo menos, 300 milhões de anos. Nós é que somos os recém-chegados nesta longa evolução da vida na Terra.

Em todos os momentos pandémicos já vividos pela humanidade se viu que as coisas nunca mais voltaram a ser como antes e o mesmo vai acontecer agora. 

Algumas dessas mudanças poderão ser temporárias mas outras ficarão enraizadas no nosso estilo de vida à medida que vamos tentando sobreviver.

Como todos sabemos, a Organização Mundial de Saúde declarou o atual surto de coronavírus como uma pandemia, por esta doença se ter espalhado por todo o mundo. Não é este facto que determina por si só o grau de gravidade da doença ou até o seu impacto, mas mesmo numa pandemia com uma taxa de mortalidade relativamente baixa, se uma parte grande da população for infetada, o número total de casos graves poderá ser bastante grande, colocando em enorme pressão o Serviço Nacional de Saúde e causando enorme perturbação social e económica.

É nestas alturas que tomamos consciência de que a globalização, que trouxe enormes benefícios para milhões de pessoas, traz consigo também algumas fragilidades. Não é possível controlar um foco infecioso desta natureza quando existe um milhão de pessoas a viajar de avião e muitos mais milhões a passear em cruzeiros. Temos de encontrar soluções futuras.

Temos também de estar otimistas pois, nos nossos dias, assistimos à crescente capacidade científica para identificar as causas e encontrar soluções para as pandemias. 

Hoje pelo conhecimento que temos da estrutura do vírus conseguimos desenvolver técnicas médicas  para nos defendermos dele e adotar medidas de saúde pública que impedem a sua propagação. 

A este propósito, convém referir que embora existam mil e um produtos quase 100% eficazes na eliminação de bactérias, nesta doença é de um vírus que se trata. Um tipo de organismo bem diferente. Mas pasme-se, a situação é bem mais simples e económica, pois uma das formas mais eficazes de o matar é com o nosso “velho amigo” – o sabão.

Várias interrogações se levantam face ao futuro mas o que é importante é que saibamos hoje aprender a lição para podermos lidar com outras pandemias no futuro.  Temos de deixar de investir no curto prazo para podermos estar um passo à frente dos acontecimentos e garantirmos a nossa segurança.

Há aproximadamente 4600 milhões de anos que a Terra gira à volta do Sol. Desde então muito fenómenos se sucederam: formaram-se mares, surgiram e foram evoluindo diversas formas vivas, os continentes deslocaram-se, ergueram-se montanhas, a atmosfera alterou-se….

É bom que tenhamos um pouco de humildade em relação ao lugar que ocupamos nesta ordem natural do planeta em que vivemos.

Jornal O Desportivo

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