OPINIÃO

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Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (95). A Imagem Peregrina na União Sul-Africana, hoje África do Sul

Texto de Salvador de Sousa

No dia 13 de novembro de 1948, a Virgem Peregrina chega à União Sul-Africana criada a 31 de maio de 1910 no território da atual África do Sul, sob o domínio do Império Britânico, que venceu as Repúblicas Bôeres, durando até 31 de maio de 1961, sendo, nesta data, declarada a República da África do Sul.

Tudo o que se passou, previamente, com as manifestações de fé em Angola e Moçambique levou os responsáveis da Igreja e de outras instituições de outros países do Continente Africano a pedir a presença de Nossa Senhora de Fátima nos seus domínios, fruto também do palpitar dos corações do povo Sul-Africano que era maioritariamente protestante, mas que soube estender o seu carinho à Imagem Peregrina com extraordinárias manifestações de louvor e de alegria.

O Cardeal de Lourenço Marques (Maputo) acompanhou a imagem que se deslocou de avião para Joanesburgo, estando à espera no aeroporto o Bispo de Pretória e o de Durban, assim com o Governador Civil que, apesar de não professar a religião católica, quis associar-se, com apreço, às homenagens feitas a Nossa Senhora.

O carro-andor escoltado por centenas de carros seguiu para a Missão de Santo António do Transval, passando, seguidamente, por, praticamente, todas as cidades, vilas e por outras localidades da atual África do Sul, não esquecendo Durban, Bellaire, Missão de Nossa Senhora de Fátima, Nongoma, cidade do Cabo, Joanesburgo, Pretória, Messina e tantas outras terras.

O povo saiu à rua, deixando as suas varandas com a beleza que o seu coração lhe ditava, transparecendo nelas e em todas a grandiosidade dos cortejos o seu íntimo festivo na receção e no acolhimento da Imagem da nossa Mãe de Deus. O problema racial, nesse momento, deixou de existir, pois todos se uniam à volta daquele Ícone prodigioso que arrastava multidões. Muitos convertiam-se, abeiravam-se dos sacerdotes para se reconciliarem, participavam nas Eucaristias, recebendo o Corpo de Cristo.

A primeira igreja dedicada a Nossa Senhora de Fátima, na África do Sul, foi inaugurada na passagem da Virgem Peregrina, em Benoni.

Em Durban, em que havia uma percentagem apenas de 8% de católicos, o Prelado, Mons. Hurley, ficou maravilhado com o que os seus olhos viam, naquele momento, quando a Imagem ali chegou, não queria acreditar, não parecia uma terra marcadamente protestante. A catedral encheu-se, ficando no exterior uma enorme multidão sem poder assistir e ouvir a mensagem do Prelado, de tal maneira, como conta o Cónego Azevedo ali presente e relator destas peregrinações, foi necessário repetir-se alguns rituais, mas sobretudo, o sermão que tinha sido já proferido no interior do templo. Falou-se de uma cura prodigiosa de certa senhora muda que, de repente, começou a falar.

Em Untana, um cortejo enorme de pessoas e carros percorria as suas ruas e, até, os Anglicanos diante da sua Igreja de portas abertas assistiam com todo o respeito à passagem de Nossa Senhora de Fátima, pedindo, inclusivamente, para a Imagem entrar no seu templo. Isso não aconteceu, mas mantiveram-se comovidos a assistir àquela tão impressionante procissão, integrando-se, nela, juntamente com os católicos.

Estava a findar o ano de 1948 e a Imagem peregrina chega à cidade do Cabo, numa das maiores capitais protestantes, num dia de chuva e de vento, mas as gentes daquelas paragens “não arredaram pé” querendo saborear a presença de Nossa Senhora de Fátima no seu íntimo já festivo.

Termino com uma passagem dolorosa testemunhada, na cidade do Cabo, pelo nosso conterrâneo da nossa diocese, natural de Tibães, Braga, Cónego Carlos Azevedo, pedindo a duas jovens católicas, que tinham marcado uma excursão de barco para o próprio dia da chegada da Imagem, que estivessem presentes para fazerem a receção à Imagem. Não atenderam e quiseram antes partir. «O mar estava calmo; revolta-se, porém, repentinamente. Uma onda traiçoeira volta-lhes o barco e as desditosas aí pereceram.» Não quiseram receber Nossa Senhora nesta terra em que, muitas vezes, damos menor valor às coisas de Deus, mas Nossa Senhora, com certeza, quis “guiar o barco” e acolhê-las junto de Si numa paz sem limites…

Principal fonte destas crónicas: “Fátima Altar do Mundo”, 3 volumes, sob a direção literária do Dr. João Ameal da Academia Portuguesa da História…

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