João Lourenço, presidente angolano, chega a Lisboa esta quinta-feira para uma visita oficial de três dias a Portugal. Promete levantar o «grande incómodo» causado pelas novas medidas de imigração propostas pelo Governo português.
Uma visita marcada por um tema sensível que ameaça contaminar as relações bilaterais e a estabilidade no seio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP): as novas leis da imigração propostas pelo Governo de Luís Montenegro.
Em entrevista concedida à TVI/CNN Portugal antes da viagem, João Lourenço não escondeu a insatisfação de Luanda em relação às medidas aprovadas recentemente no Parlamento português, admitindo que há «grande incómodo» entre os países africanos de língua portuguesa.
«De facto, existe algum incómodo. O Brasil teve a coragem de manifestar já esse mesmo incómodo. Nós, até aqui, não dissemos nada, mas é evidente que estamos a seguir a evolução da situação com muita atenção», afirmou o chefe de Estado angolano.
A chegada do Presidente João Lourenço e da primeira-dama, Ana Dias Lourenço, está agendada para as 16h50 desta quinta-feira, no Aeródromo de Trânsito Nº 1, em Lisboa.
À sua receção estarão previstas alas militares de cortesia e uma cerimónia de boas-vindas, com apresentação de cumprimentos pelas delegações portuguesa e angolana.
A visita, que decorre até domingo, dia 27, acontece num momento de crescente desconforto diplomático entre Portugal e alguns dos seus principais parceiros da CPLP, depois de o Governo liderado por Luís Montenegro ter avançado com uma revisão legislativa mais restritiva no domínio da imigração.
As novas regras endurecem os critérios de entrada, permanência e regularização de cidadãos estrangeiros, afetando diretamente nacionais de países africanos lusófonos.



