Num universo historicamente associado a homens, Oriana Brandão está a afirmar-se como uma das novas vozes femininas a ganhar espaço nas barbearias em Portugal. Natural de Viana do Castelo, a jovem barbeira trabalha há cerca de um ano na Bertus Barbearia, em Esposende, onde diz ter encontrado o equilíbrio entre realização profissional e desafio pessoal.
A entrada no ofício surgiu durante a pandemia de COVID-19, quando a necessidade de cortar cabelo em casa a levou a explorar uma prática que rapidamente se transformou em vocação. O interesse foi crescendo e ganhou consistência a partir da sua experiência de infância, quando já experimentava cortes no irmão mais novo.
Em 2021, aos 23 anos, decidiu apostar na formação profissional no Porto, conciliando os estudos com o trabalho numa fábrica em Viana do Castelo. “Às seis da manhã apanhava o comboio para o Porto e tinha aulas durante a manhã. À tarde começava a trabalhar na fábrica às 15h40 e saía à meia-noite. Era muito exigente”, recorda.
Apesar do esforço, a jovem sublinha que se sentiu integrada num ambiente formativo maioritariamente masculino. O percurso, no entanto, não foi isento de obstáculos. Já no mercado de trabalho, enfrentou resistências iniciais. “Em alguns casos disseram-me mesmo que não me poderiam aceitar por ser mulher”, relata.
Perante as dificuldades, Oriana Brandão optou por não desistir. Começou a cortar cabelo a amigos e conhecidos em casa e a divulgar o seu trabalho nas redes sociais, o que acabou por abrir portas ao primeiro contacto profissional consistente. Desde o final de 2024 integra a equipa da Bertus Barbearia, em Esposende.
O dia a dia na barbearia trouxe também um processo de crescimento pessoal. “As pessoas falam muito, desabafam, partilham inseguranças. Por ser uma mulher, às vezes sentem-se ainda mais à vontade”, observa.
Apesar do início marcado por algum nervosismo, a jovem afirma sentir-se cada vez mais integrada num setor ainda maioritariamente masculino. “A experiência tem sido muito boa. O mais importante é sentir que ajudei a melhorar a autoestima e a confiança da pessoa que atendo”, sublinha.
Questionada sobre a escolha pela barbearia em detrimento do cabeleireiro tradicional, a resposta surge sem hesitação: “Gosto muito de fazer barbas. Foi uma escolha natural.”
Radicada profissionalmente em Esposende, Oriana destaca também a forma como foi recebida na cidade. Apesar da sazonalidade do concelho, diz sentir-se bem integrada. “Sinto muito o aconchego das pessoas. Gosto de passear na marginal. Sinto-me muito bem aqui”, conclui.










