O Partido Comunista Português (PCP) convocou para a próxima segunda-feira uma marcha em Lisboa para assinalar o que considera ser uma “vitória dos trabalhadores”, após o chumbo da proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo.
Sob o lema “Luta, caminho da vitória – salários, pensões, serviços públicos – novo rumo para Portugal”, a iniciativa está marcada para as 18h30, com concentração na Praça da Figueira e percurso até à Rua Augusta.
Em comunicado, o PCP classificou a rejeição da reforma laboral como um momento de “enorme alcance político”, sublinhando que o resultado obtido na Assembleia da República demonstra a importância da mobilização dos trabalhadores e da ação sindical.
“A vitória da luta dos trabalhadores, com a derrota do pacote laboral, assume um significado político de enorme alcance”, refere o partido, que atribui o desfecho da votação à “força imensa da luta organizada”.
Os comunistas acusam o Governo de seguir uma “agenda retrógrada e antidemocrática” e defendem que o chumbo da proposta constitui um sinal claro de rejeição das alterações laborais pretendidas pelo executivo liderado por Luís Montenegro.
Além da contestação à política laboral, o PCP aproveita a mobilização para reforçar reivindicações relacionadas com o aumento dos salários e das pensões, bem como a defesa dos serviços públicos, com especial destaque para o Serviço Nacional de Saúde.
O secretário-geral do partido, Paulo Raimundo, deverá participar na marcha.
A proposta de revisão da legislação laboral foi rejeitada na generalidade pela Assembleia da República, com os votos contra de Chega, PS, Livre, PCP, Bloco de Esquerda, PAN e JPP. O diploma contou apenas com os votos favoráveis dos partidos que suportam o Governo, PSD e CDS-PP, e da Iniciativa Liberal.
O resultado da votação esteve em aberto até aos momentos finais, após intensas negociações entre o Governo e o Chega. O partido liderado por André Ventura apresentou várias exigências, incluindo a descida da idade da reforma, a reposição de dias de férias e medidas de proteção de trabalhadores e famílias.
Apesar da disponibilidade manifestada pelo Executivo para aprofundar o diálogo na especialidade, o entendimento não foi alcançado, levando ao chumbo de uma proposta que o Governo considerava determinante para a sua agenda de reformas.



