O Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar esta quinta-feira uma nova subida das taxas de juro, numa decisão amplamente antecipada pelos mercados e pelos analistas financeiros. No final da reunião de política monetária iniciada na quarta-feira, a instituição liderada por Christine Lagarde deverá elevar a taxa de juro de referência em 25 pontos base, passando dos atuais 2% para 2,25%.
A medida surge num contexto de renovadas pressões inflacionistas na Zona Euro, impulsionadas sobretudo pelo agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e pelo impacto dessas incertezas nos mercados energéticos.
De acordo com vários economistas consultados pela agência Lusa, a subida dos juros é considerada a resposta mais provável do BCE para evitar que a inflação volte a afastar-se da meta de 2% definida pela instituição.
Michael Krautzberger, diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da Allianz Global Investors, considera que o aumento de 25 pontos base está em linha com a orientação seguida pelo banco central nos últimos meses.
Segundo o analista, a persistência de choques na oferta e o risco de um novo ciclo inflacionista justificam a manutenção de uma política monetária restritiva. Krautzberger defende ainda que o BCE procura evitar a repetição do cenário observado após a pandemia de Covid-19, quando a demora na resposta à subida dos preços obrigou posteriormente a aumentos mais agressivos das taxas de juro.
Na mesma linha, Martin Wolburg, economista sénior da Generali Investments, entende que a subida prevista servirá sobretudo para preservar a credibilidade da instituição no combate à inflação e ajudar a manter ancoradas as expectativas dos agentes económicos.
Contudo, o especialista reconhece que o BCE enfrenta atualmente um desafio particularmente complexo: equilibrar a necessidade de controlar os preços com sinais de desaceleração da atividade económica em vários países da moeda única.
Também a Oxford Economics prevê um aumento de 25 pontos base, sustentando que a persistência de preços elevados da energia, o agravamento dos custos de produção e os constrangimentos nas cadeias de abastecimento exigem uma resposta monetária adicional para conter riscos inflacionistas de médio prazo.
Para Oliver Rakau, economista-chefe da consultora para a Alemanha, o BCE deverá sinalizar que poderão ser necessárias novas subidas ao longo do ano. O especialista admite que os mercados continuam a antecipar até três aumentos adicionais de 25 pontos base até ao final de 2026, embora a Oxford Economics mantenha uma previsão mais moderada de apenas duas subidas.
Ainda assim, a evolução dos preços da energia, o ritmo de crescimento económico e a situação do mercado laboral serão determinantes para as próximas decisões da autoridade monetária europeia. Uma eventual redução das pressões energéticas e um enfraquecimento da economia poderão levar o BCE a interromper o ciclo de aperto monetário mais cedo do que atualmente é esperado.
Além da decisão sobre as taxas de juro, a reunião desta semana deverá ficar marcada pela atualização das projeções económicas do BCE, documento que será acompanhado de perto pelos investidores e pelos governos europeus, numa altura em que a inflação e o crescimento económico continuam a dominar a agenda económica da região.
A expectativa dos mercados centra-se agora nas indicações que Christine Lagarde poderá deixar sobre os próximos passos da política monetária, numa fase em que o equilíbrio entre controlo da inflação e apoio à atividade económica se tornou cada vez mais delicado.



