OPINIÃO - Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (36): Os lugares e as pessoas são as verdadeiras fontes da verdade

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Fátima, sempre foi, já é e será sempre mais (36): Os lugares e as pessoas são as verdadeiras fontes da verdade

O Cónego José Galamba de Oliveira, um dos escritores mais famosos da história de Fátima e com grandes ligações, mesmo familiares, a esta localidade, teve um percurso dedicado à cultura, como jornalista, educador, escritor, dinamizador social…. Em 1909, ainda com cinco anos, veio com familiares, num carro puxado por uma muar, a Fátima despedir-se de um seu tio e padrinho que agonizava num quarto da residência paroquial. Mais tarde, em 1916, já como seminarista, com 13 anos de idade, volta a calcorrear as terras de Fátima pela estrada entre a Batalha e Ourém, parte dela construída pelo seu pai empreiteiro, nunca pensando que, dali a pouco tempo, se tornasse uma das estradas mais conhecidas de Portugal, assim como Aljustrel, que ele conheceu tão bem, onde nasceram os três videntes e viveram, mais tempo, os pais de Francisco e de Jacinta, falecendo em 1956/1957, embora a casa deles tivesse sido doada a João Marto (filho do casal) e à sua esposa. Passaram, a partir dessa doação, em 1930, a viver numa outra sua habitação que hoje também se pode visitar.

O cónego José Galamba de Oliveira começa por descrever e citar as palavras da Lúcia sobre as aparições do anjo que, como todos sabem e, por isso, não vou desenvolver muito aqui, foram o prelúdio das Aparições de Nossa Senhora.

Como Lúcia era a mais velha, no início tinha por companheiras as amigas  Teresa e Maria Rosa Matias, da Moita, e Maria Justino, da Casa Velha e  pastoreando os seus rebanhos na encosta do Cabeço voltada a sul, em 1915, dois anos antes das Aparições de Nossa Senhora, na estação Primaveril, foi presenciado o primeiro sinal, onde, mais tarde, em 1946, relata-nos o Cónego:« tendo-nos sentado na rocha ouvi da boca da Irmã Lúcia a narrativa dessas primeiras aparições do Anjo … Ao tempo de rezar o terço vi sobre o arvoredo… como uma nuvem, mais branca do que a neve, algo transparente com forma humana. As minhas companheiras perguntaram-me o que era. Respondi que não sabia. Em dias diferentes repetiram-se mais duas vezes. Estas aparições deixaram-me no espírito uma certa impressão de que não sei explicar. Pouco a pouco essa impressão ia-se desvanecendo e creio que, se não são os factos que se seguiram, com o tempo a viria a esquecer por completo.»

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É importante partilhar convosco todos os relatos que o Cónego Galamba de Oliveira faz dos locais e das Aparições que ele próprio viveu e presenciou, ainda como seminarista, mormente na Aparição do dia 13 de setembro de 1917, vindo ele e os seus colegas do Olival (Santarém), a pé (cerca de19km) a cantar e a rezar, não sendo tarefa fácil, mas lá conseguiram.

Iam com toda a simplicidade, juntando-se, ao longo do percurso, com outros peregrinos a caminho do Arco que marcava o local das aparições, mas sempre com receio que lhes acontecesse algo de inesperado. Foram aconselhados por três sacerdotes que encontraram, para que ficassem mais protegidos, que subissem a encosta não muito longe do local das aparições. Escolha bem sucedida, pois contemplaram algo de inexplicável como nos conta o Cónego Galamba de Oliveira que, na altura, tinha apenas 14 anos: «Não dei por nada junto do local mas, após a aparição, não sei indicar o momento preciso, olho para o Céu …e vejo, à distância de um metro do sol, um como globo luminoso que em breve começa a descer em direção ao poente e, da linha do horizonte, voltou a subir de novo em direção ao Sol.

Apoderou-se de nós uma justificada comoção… Todos os presentes puderam ver o mesmo globo à exceção de um meu condiscípulo, mais tarde também sacerdote, natural de Torres Novas. Tomei-o pelo braço para lhe mostrar, mas, nessa altura, perdi o globo de vista sem que ele lograsse notá-lo o que o levou a dizer entre lágrimas: “Por que razão eu não vejo? Quem sabe se estou em pecado mortal?” No mesmo dia, começamos, eu e os outros, não sei se todos os presentes, a ver uma queda como de pétalas de rosas ou flores de neve que vinham do alto e desapareciam um pouco acima das nossas cabeças, sem que lhe pudéssemos tocar.

Eu não vi mais nada, mas isso bastou para nos encher de consolação e partimos com a certeza íntima, uma como intuição, de que estava ali o dedo de Deus.»