Os operadores de telecomunicações de emergência da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) iniciaram esta segunda-feira uma greve que se prolonga até 3 de julho, numa ação convocada pelo Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (SinFAP). Os trabalhadores exigem a criação de uma carreira profissional própria e a valorização das funções que desempenham, garantindo, contudo, que o socorro às populações não será afetado.
Segundo o presidente do SinFAP, Alexandre Carvalho, os operadores de telecomunicações continuam a ser “ano após ano, desvalorizados” e sem reconhecimento da especificidade das funções que desempenham.
“Estamos a falar de assistentes técnicos que fazem a função de operadores de telecomunicações, não têm uma carreira, são, ano após ano, desvalorizados, escondidos”, afirmou o dirigente sindical, sublinhando que estes profissionais desempenham um papel essencial na coordenação das operações de emergência, embora permaneçam longe da visibilidade pública.
O sindicato reuniu-se recentemente com o Ministério da Administração Interna (MAI), que, de acordo com Alexandre Carvalho, manifestou disponibilidade para abrir uma mesa negocial com vista à criação de uma carreira profissional para estes trabalhadores. Ainda assim, o SinFAP decidiu manter a greve para reforçar a importância das comunicações em cenários de emergência, desastre ou catástrofe.
A paralisação teve início, na prática, às 20h00 de domingo, devido ao regime de trabalho por turnos. Apesar da greve, Alexandre Carvalho assegura que todas as operações de socorro estarão salvaguardadas.
“Os serviços mínimos estão decretados, portanto, tudo aquilo que for para o socorro será assegurado e as populações podem ficar sossegadas porque não vamos colocar esse socorro em causa”, garantiu.
A greve coincide com o início, na quarta-feira, da fase Delta do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais, período em que será reforçado o número de operacionais e meios no terreno. Para o dirigente sindical, é precisamente durante as fases de maior exigência operacional que se torna mais evidente a importância do trabalho desenvolvido pelos operadores de telecomunicações.
Além da criação de uma carreira específica, o SinFAP reivindica também a reorganização da ANEPC, defendendo o regresso aos Comandos Distritais de Operações de Socorro, substituídos em 2023 pelos atuais 24 Comandos Sub-Regionais de Emergência e Proteção Civil.
Com os serviços mínimos assegurados, o sindicato prevê que os principais impactos da greve incidam sobre tarefas administrativas e procedimentos internos, como a emissão de estados de prontidão e outras comunicações de natureza não operacional, sem comprometer a resposta às ocorrências de emergência.



