O PS de Vila Verde considerou, esta segunda-feira, que o “caos” da recolha do lixo “é o retrato da gestão municipal do PSD”, responsabilizando o executivo municipal pelo “colapso” deste serviço.
Em comunicado, os socialistas recordam que votaram contra o modelo aprovado, que lançou uma nova concessão a uma empresa privada, e sublinham que o “hoje se vê nas ruas é o retrato da gestão municipal, apesar de a Câmara dispor de cerca de 700 trabalhadores”.
“Na Assembleia Municipal, o PS alertou que o modelo contratual era frágil e mal preparado, a transição seria feita sem planeamento, a empresa adjudicatária não tinha condições para garantir o serviço e o município avançava sem estratégia nem garantias de execução O tempo veio confirmar exatamente aquilo que o PS advertiu”, refere o comunicado.
A tomada de posição do PS surge dias depois de, na última sexta-feira, a Câmara de Vila Verde ter anunciado um acordo com a empresa que presta o serviço, a Luságua, para a rescisão do contrato, que vigora desde 01 de julho do ano passado. No dia seguinte, contudo, a empresa negou que já tenha sido estabelecido qualquer acordo, mostrando-se surpreendida com o anúncio feito pela autarquia.
Para o PS, “o problema não é da Luságua — é da Câmara Municipal”, já que o município “dispõe de uma estrutura robusta, com cerca de 700 trabalhadores, capaz de assegurar planeamento, fiscalização, acompanhamento operacional e resposta rápida em situações críticas”.
A concelhia socialista liderada por Filipe Silva considera que as mais recentes declarações do município e da empresa “revelam que o colapso do serviço resulta de um caderno de encargos mal dimensionado, falta de planeamento municipal, ausência de acompanhamento e fiscalização eficaz e decisões políticas tomadas sem estratégia”.
Por isso, para os socialistas, está em causa “falta de liderança, organização e responsabilidade política” por parte da maioria social-democrata que governa o município, que “não preparou a transição, não acautelou alternativas e não assegurou a continuidade de um serviço essencial”.
“MAIORIA DEIXOU DE OUVIR”
Citado no texto, o líder da concelhia e vereador, Filipe Silva, refere que este desfecho “só foi possível porque o PSD governa com maioria absoluta e deixou de ouvir”. Segundo o vereador, o executivo “ignorou alertas, recusou diálogo e avançou sem qualquer tentativa séria de evitar o colapso do serviço”.
Filipe Silva acrescenta ainda que a situação “se agrava pelo facto de, enquanto vereador, só ter tido conhecimento deste assunto através do jornal O Vilaverdense, e não por qualquer comunicação institucional do executivo”, considerando este comportamento “um sinal claro da falta de transparência e de respeito institucional”.
Para o vereador do PS, “o atual executivo queria este desfecho, porque nada fez para o evitar — e isso diz tudo sobre a forma como tem governado”.
Filipe Silva alerta para os “custos reais para a população”, nomeadamente “custos operacionais adicionais, com mobilização de equipas internas e recolhas extraordinárias; custos jurídicos e administrativos, caso haja litígios ou penalizações; perdas económicas no comércio local, com quebras de movimento; e custos ambientais e de saúde pública, incluindo limpezas profundas e intervenções especiais”.
“Os vilaverdenses pagam mais por um serviço que funciona pior — e sem qualquer perspetiva de melhoria imediata”, salienta.
INTERNALIZAR SERVIÇO
Para o PS, este processo “é o exemplo da gestão municipal” e volta a apontar a internalização do serviço, sublinhando que essa opção “deve ser seriamente considerada” em vez de um novo concurso, como forma de garantir “maior controlo operacional, custos previsíveis, qualidade consistente e responsabilidade direta perante os cidadãos”.
“O PS continuará a acompanhar o processo, a exigir transparência e a defender soluções que coloquem o interesse público acima de qualquer improviso político”, conclui o comunicado.
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